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28 junho 2011

Redenção

Foi súbito.
Era ela. À sua frente, como anos atrás...
Nos infindáveis e efêmeros segundos deste contato, Paulo nem sequer conseguiu planejar o que dizer... Por impulso, limitou-se ao impensável: "Oi..."
A incapacidade de proferir algo melhor foi decorrente da atipia do momento. Era a primeira vez em anos, após o término, que o encontro ocasional dos 2 não fora marcado por indiferença (da outra parte), mudanças propositais de olhares na iminência destes se encontrarem (por parte de ambos) e um arrepio estranho (por parte dele).
Cinco anos... Cinco longos anos... Pouco mais que isso... Dois mil dias sem os cachos claros, sem a risada despudorada nem a mente fluida de Marcella.
A simples "oi" de repente lhe pareceu tolo quando percebeu que a moça não vinha em sua direção, mas assumira um caminho que passaria por ele. A mesma saudação de tola passou a parecer indevida, quando fez com que a jovem parasse, com ar de certa admiração.
"Err.... Oi...?" - respondeu com um leve inclinar do rosto e frizar de sobrancelhas.
Se entreolharam por mais alguns segundos. Paulo inquieto, ela, parecendo confusa.
"Desculpa, mas já nos conhecemos?" foram as palavras que saíram dos lábios finos, bem desenhados.
Agora foi a vez de Paulo mexer as sobrancelhas, arqueando-as desacreditado. Sorriu de canto de boca... "Tá brincando né???"
A jovem pareceu ainda mais intrigada. Apertou os olhos como que forçando-se a lembrar da face jamais vista e, com certo pudor, respondeu... "Não..."
Paulo surtou.
Os mesmos olhos doces, os mesmos lábios finos, os mesmos olhos marcantes... E outra pessoa. A mesma "casca" em outra mente. Outras histórias, outros gostos, outros ditos, outros viveres. Posto dessa maneira pareceria apenas mais um dos tantos homens movidos pelo físico, pela atração visual, encarcerado em desejos primitivos, deixando o real ser intrínseco de lado... Mas não era isso...
Naquele momento o rapaz mergulhou num turbilhão de pensamentos.
Memórias não apenas, mas questionamentos. Tudo aquilo que os separara ficara para trás. A questão era justamente esta; Paulo fora apaixonado pelo que Marcella era no momento em que se conheceram, mas não podia suportar o que ela já havia sido. Deixara claro que viveria o presente, mas era lembrado a todo momento pela amada do que queria esquecer. O rapaz não conseguia conceber que a jovem era, assim como todos, fruto de suas experiências e vivências, jamais poderia deixar de sê-lo. Mas em seu âmago, desejoso de ter encontrado a mulher de sua vida, Paulo exigia, sem perceber, que Marcella fosse outra pessoa. E ali estava sua chance.
Nova chance... Chance de ter alguém que lembrasse a primeira, mas que não atentasse contra seus pudores, vergonhas, concepções e convicções de maneira tão incômoda.

A vida é uma ciranda de pedra, caro leitor. Querer moldar os outros a seus bel prazer é um erro fatal a qualquer humano, que, dotado da ânsia da perfeição, brinca de Deus em seu próprio espetáculo de pseudo-perfeições...
O que você faria se pudesse apagar imperfeições da história de alguém? Ousaria planejar a existisência de um outro Ser, do qual não é diferente? Pense nisso, Reflita Também...

19 julho 2010

Sobriedade da Madrugada

Uma hora e seis minutos da madrugada de uma segunda-feira qualquer...
A inquietude de horas atrás cede lugar a uma plenitude estranha. Sinto como se tudo faltasse e ao mesmo tempo nada importasse. Não me sinto mal... indiferença é a palavra que me ocorre quando o sono não chega, eu desenho olhares desconexos numa pequena folha rasgada e ouço a rádio pelo computador, tocando uma seleção impecável da década de 80.
Preciso escrever... venho, e quase desisto por ver que o post não vale a pena.
Longe de fazer daqui um diário... nem desejo que se torne um twitter pra quem tem mais a dizer...

Caríssimos, o desejo pela produtividade é uma constante... Construir é uma sina do ser humano. Uma vida sem realizações é um fardo, não uma dádiva...
Sente, projete, realize.
Mesmo que seja (decorrido o devido tempo) a 1h12 de uma simples segunda-feira...

05 julho 2010

Notícias lidas por aí...

"RIO - 'A paixão, como descrita pela ciência, é um estado fisiológico, com sintomas psíquicos e físicos, em que há uma intensa atividade cerebral e hormonal muito semelhante à do vício por uma droga, como a cocaína. O julgamento crítico, o discernimento, e a racionalidade em relação ao parceiro estão muito reduzidos, especialmente nos primeiros meses.' É assim que a médica Cibele Fabichak, autora de "Sexo, amor, endorfinas e bobagens" (Ed. Novo Século), define o estado de enlevo que se apossa dos amantes de forma avassaladora, mas tem prazo para acabar: no máximo quatro anos."

A ciência, dona de certezas ambíguas e baseada em evidências incertas, quem diria, também pode ser provida de lirismo. Na tentativa de explicar a paixão faz a comparação mais perfeita e precisa do que se sente ao experimentá-la. Não o caráter da droga, dada a falta de conhecimento de causa que tenho, mas no que tange ao vício.
Há uma compulsão, uma necessidade iminente, um clamor pela vivência em imediato... Falta-lhe algo, e isso traz uma angústia inenarrável. O vazio que lhe toma é como o de um buraco negro, que suga tudo para dentro de si, consumindo todo e qualquer material que o rodeie, na tentativa de se sentir repleto novamente...
Racionalidade passa longe: é possível sentir-se assim mesmo por pessoas recém-conhecidas; o discernimento é mantido alheio dado que, mesmo que o julgamento crítico não falhe, e o indivíduo consiga perceber que algo "errado" acontece, a consequências em questão são totalmente exclusas a vontades ou desejos de mudança. O que digo é que, conscientemente, não se pode fazer nada para mudar, pois o corpo funciona por si só e indiferente ao que pensa seu dono.
Algo, entretanto, se mostra esperançoso (ainda que devesse ser alarmante): há tempo pra acabar...
Então, caríssimo leitor, não se alarme... Uma hora passa...

(e se a previsão é de meses, lhe asseguro: pode acontecer em horas ou dias...)
Pense nisso, reflita também...

03 março 2010

Despertar da Primavera

Faltando 18 dias para o início do Outono, a trégua na chuva hoje pela manhã, embebida em tímidos porém quentes raios de sol, me trouxe, na verdade, uma visão da Primavera. Não por palmeiras que florecem no Aterro, nem pelas cores que surgem em pétalas na Praia Vermelha.
A Primavera se faz presente hoje por novas bodas; uma flor no cabelo nos faz sorrir, sorri também, e traz motivos para celebrar. As flores surgem, se dispondo a serem colhidas e repostas sobre os castanhos fios e, junto ao sol que torna vistosa toda e qualquer simples poça na rua, completam a cena de uma manhã marcante, diferente das demais...
Ao fundo, ouve-se baixinho... "let the sun shine, let the sunshine in... the sunshine in..."

29 janeiro 2010

Fora do senso comum...

Ao contrário do que muitos pensam, escrever não é um dom. Tampouco um exercício fácil.
Sinto tornar-se cada vez mais frenquente a vontade de debruçar sobre o papel e despejar meu interior nesse (metaforicamente, tanto no que tange monitores e teclados, quanto às vísceras humanas).
É parte de mim. Uma necessidade. Um ímpeto. Quase uma obsessão...

Escrever é, antes de tudo, um ato de determinação.
Prosseguir, persistir. Saber que a mente é infinita(mente) mais rápida que os dedos. Não se dar por vencido quando as palavras escapam e o deixam como tolo encarando meia-dúzia de verbetes recém-escritos e que aguardam avidamente por companhia. Não largar a pena quando o peito lhe aperta, pulsando ânsias, bombeando forças, disseminando ânimo.
O trabalho compensa e, por compensar, é aceito de bom grado por quem escreve. O escritor é antes de tudo forte. Escreve... descreve... apaga... reescreve... Se hoje já não chega a isso, outrora fazia parnasianos suarem...
Ainda assim, é árduo. Árduo e áspero, pois ao arranhar a quietude do autor, só é aceito por quem não teme sofrer essas pequenas e pontuais injúrias.

Hoje sei e digo: se a escrita é fruto de um abençoar divino, escrever é o lapidar dos homens.
Pense nisso leitor... Reflita também...

05 janeiro 2010

Remédio contra o Bloqueio

Muitas vezes me peguei com um questionamento incessante.
Pra onde teria ido a solidariedade nos dias de hoje?
Se somos capazes de não ver pessoas ao nosso lado, que o diga do outro lado do mundo... e é isso que sempre me incomodou...
E foi também por isso que o vídeo que os trago hoje me motivou. Reconheço que cheguei a derramar limpas, emocionadas e esperançosas lágrimas na manhã seguinte ao bloqueio relatado no post anterior. Não é a primeira nem, de certo, a última mobilização a favor dessa causa, mas foi uma das mais bem boladas, e por isso a trago a vocês, caros leitores.



Afinal, sem soar clichê, o que pode ser mais efetivo contra um bloqueio de escrita do que renovar esperanças e ver que você não está só ao pensar que apenas o Amor pode salvar-nos de um destino quase inevitável.

"Há que se ter Esperança, e tudo do que precisamos é Amor"
Vocês concordam? Comentem... se não concordarem, comentem também! Não trago verdades, apenas mais questionamentos e constatações... Pense nisso leitor! Reflita também...

31 dezembro 2009

Bloqueio de Escrita

Na ânsia por escrever, atualizar o blog, brindar meus caríssimos amigos e/ou leitores com novos textos, experimentei ontem uma amostra da angústia pela qual passa um escritor profissional. Se eu, um pseudo-autor sem grandes aspirações, cheguei a sentir-me mal por não ter idéias, não conseguir colocar nada no "papel", gritando dentro de mim por um Insight que me trouxesse um pouquinho, que fosse, de criatividade... como deve ser pra um escritor de verdade ter um daqueles famosos bloqueios autorais?
Horas a fio na frente do pc... peguei livros, vi sites, recordei memórias, inventei fatos... tudo com o intuito sem sucesso de me dar um bom assunto a tratar. Casamento? Natal? Relações familiares? Tecnologia? Mais do mesmo... Cinema ou Música? Não... quero inovar...A dor de cabeça começava a surgir.
Imaginei a cobrança sobre os profissionais, seja por prazos (pros que escrevem em jornais) ou por novidades (pros que vivem de bestsellers). E percebi que, desorganizado e alheio a prazos que sou, fiz bem em escolher a medicina em detrimento à literatura...

Deixei de lado o anseio e fui dormir... grata surpresa a confirmação da dica de um grande cronista, que dizia: se a inspiração não vem, faça coisas diferentes... ela sempre aparece!
Provarei no próximo post...
Pense nisso, reflita também!

p.s.: Aproveito para dar boas vindas à nova leitora "Ana" que descobriu o blog e me deixou ótimos comentários. Desde já obrigado, e saiba que se juntando a meus outros 4 leitores, vc me ajuda a chegar a quase meia dúzia! hahahah Sinta-se a vontade de comentar sempre viu? Ah, e querendo entrar em contato, deixe e-mail ou msn em algum comentário. Bjos a todos

06 setembro 2009

Momento lírico

Hoje, durante uma conversa, brincando, uma amiga me disse:
-Ah, que doutor sem coração!

Parei. Pensei. E disse, sem piscar ou emoções nos olhos, com o olhar perdido:
-Capaz... as mulheres que passaram pela minha vida o fizeram em pedaços. Colhi os cacos e os colei por vezes; mas a cada ocasião em que isso acontecia, pedaços se perdiam... Após algumas vezes, só sombra do que ele foi outrora sobrou no meu peito...

Caro leitor, isso acontece a muitos. Muito mais frequente inclusive do que imaginamos... Já parou pra conceber isso? Pois bem, Reflita Também...

23 maio 2009

Vida e Luzes na Ala Sul

A cidade ainda me fascina. Não o último subúrbio (de onde vinha o leiteiro de Drummond) com sua calmaria melancólica, sua invariabilidade boçal ou seu quase oficial recolhimento noturno, graças à ausência de alternativas de ocupação tardia. O que ainda me é capaz de fascinar é o movimento que se mantém nas regiões mais burguesas da metrópole depois que o sol se põe. Milhares de pessoas que tomam as calçadas. Jovens que tomam sorvete. Pais fazendo compras em mercados subterrâneos. Mães se exercitando em gigantes academias. Cinemas de rua a pleno funcionamento. Livrarias de longas estantes exploradas por bibliófilos. Hotéis em cada esquina.
E os relógios esquecidos... como não se faz longe daqui, pois só aqui a vida não para entre as 19h de um dia e as 7h do dia seguinte. Pura e simples fascinação de um estranho que, fechado ao longe, perde 12h de vida todos os dias...

Também se sente assim leitor? Com a necessidade de não se fechar ao mundo por horas a fio?
Será que o que é bom, vivo, válido, é guardado a poucos? Pense nisso... reflita também...

06 abril 2009

Entre o Espelho e os Cacos

O ar nostálgico que me toma em salvas traz consigo um elemento intrigante. Sempre ouvi que só se deve se arrepender do que não tenha feito; entretanto, nunca captei nada no que diz respeito a arrepender-se pelo que tenha sido. E isso é o que me chega agora.
No auge de 22 anos decorridos desde a data de nascimento, olho-me no espelho como que através de um caleidoscópio. Diferente, plurissignificante, multifacetado; e posso dizer, mesmo assim, que não me reconheço e, caso o fizera, não gosto do que vejo. Produto final do que o melhor vindo dos pais e o pior originado das escolhas individuais poderiam criar. Um ar de sábio, daqueles que nada sabem, e um tanto de salvador, que nem a si mesmo pode salvar. Rio do simples fato de ser visto como cuidador: quero o bem dos outros, dou meu melhor nisso e em nada contribuo para o meu próprio.
No espelho, me olho nos olhos; sorrio sem esperanças e agradeço a mediocridade de mais um dia em que, na verdade, não sou: apenas deixo de ser...

Pense nisso querido leitor... O que vê quando se olha nos espelhos da vida? Gosta do que enxerga? Desgosta? Mudaria algo? Enfim... você já sabe: Reflita também...

04 janeiro 2009

Mandamentos para um Novo Tempo

Refletindo acerca da contemporaneidade, cheguei à conclusão de que o Homem precisa de novas diretrizes. Seguir novos rumos, se embasar em novos valores, um tanto próximos de outros já consagrados, mas com o intuito de tornar pleno o seu viver, retornar a um rumo ideal, há muito deixado de lado. Parei, pensei, e cheguei a esses 10 tópicos. Leis. Mandamentos para uma vida nova.

1- Faz o que amas, evita forçar-te a amar o que fazes.
-Opta por realizar aquilo que te faz bem-


2- Não te aproximas em demasia de quem não te trata como prioridade. -Ser alternativa para outros te consome aos poucos,
sem que percebas-


3- Reconhece teu limite, não o ultrapassas conscientemente.
-Zela por ti e guarda teu bem-estar sobre tudo-


4- Não te bastas a beijar uma flor, se a flor que desejas não podes beijar. -Luta pelo amor que te cabe-

5- Jamais te furtas do convívio dos que elegeste dignos de tua companhia. -Fica junto, ensina e aprende todos os dias-

6- Deixa que as palavras te aflorem à boca.
-E com elas, enfeita os lábios com sorrisos; teus e dos outros-


7- Adiciona música à tua vida.
-Faz um mundo sonoro, e capacita-te a ouví-las dentro de ti-


8- Aprende com as crianças.
-Como elas, passa a ver todos os lados de uma mesma situação-


9- Adentra teu mundo. -Faz parte dele, capta o sol, molha-te no mar e consome o vento como fruto igual da Criação que também o és-

10- Por fim, Sonha. Mas não te esqueças de viver.
-Sonhar vivendo é dádiva, viver sonhando é lástima-


Pois bem, caro leitor. Defendo como início de uma nova vida estas máximas. Não venho trazer verdades a todos, ou impor credulidades próprias aos demais. Digo que estas linhas ME guiarão. Quero que você se sinta à vontade em criar as suas, ou se lhe agradar, usar mesmo estas... À vontade. Meu intuito é pura e simplesmente fazê-lo pensar. E lembre, Reflita Também...

28 novembro 2008

Calmaria

Incrível a capacidade de memória humana...

Desde muito cedo, eu sempre imaginei que o cérebro das pessoas funcionasse como grandes armários de arquivos e que tudo ali guardado estivesse dividido por temas. Uma gaveta para comidas já provadas, outra pra roupas já vestidas, uma terceira para texturas já experimentadas. Mas o que sempre me motivou mais a pensar desta maneira, é que dificilmente se esquece uma música já ouvida... e isso embasava a minha tese. A gaveta de "Músicas Ouvidas" deveria ser a maior de todas; reunindo informações desde a primeira cantiga de ninar, até a pior música que a pessoa já teve o desprazer de pegar mesmo que alguns segundos.

Hoje, sem motivo aparente, pude ouvir de maneira cristalina uma música dentro da minha mente. Praticamente uma alucinação auditiva, de tão perfeita. Mas eu me lembrava pouco da música em questão. Poucas e doces notas, parte de um verso do que parecia o refrão...e a curiosidade que me mata naturalmente. Lancei-me numa busca árdua pela internet, equiparando os 2 maiores arquivos do mundo. Um criado pelo Homem, o outro planejado pelo seu Criador. E encontrei.
Brindo meus leitores com essa pérola... um presente a mim, dado por uma cabeça confusa, mas de muito bom gosto.

Com vocês:
Flávio Venturini e Caetano Veloso em "Céu de Santo Amaro"

05 agosto 2008

Angústia

Graciliano Ramos, em um de seus mais aclamados livros, relata o desespero de um homem, que entrevado em uma cama, ouve tudo à sua volta sem poder se expressar. É esta Angústia que nomeia sua obra. Passo agora por uma inquietude... De certo nem se compara à do protagonista em questão, mas que me abala por dentro. Me aperta o pescoço. Me faz querer gritar, e gritanto, expulsar o peso do peito... sem mais...

04 julho 2008

Quero mais tempestades...

Sempre fui fascinado pela chuva. Desde criança o cheiro de terra molhada me atraía, o visual da torrente minando do céu era incrível. E o melhor de tudo, a fúria da natureza, como que lavasse a insignificância humana sob si, trazia pra mim inspiração sem igual. Era sentir o primeiro vendo diferente, o ar úmido e possivelmente um trovão que, magicamente, eu era capaz de expor melhor o que pensava e, igualmente, pensava melhor também.

Ontem à noite, ao me deitar, senti a perturbação da calmaria lá fora. A brisa cresceu, tornou-se um sopro forte, que zunia por entre as frestas das janelas. Cortinas abertas permitiam que a luz, imediatamente acompanhada de um som expressivo, adentrasse meu quarto. E mais uma vez senti o ímpeto de escrever... Pequei por não ter levantado na mesma hora e ter expresso minhas mais novas frustrações... perdi a inspiração que me veio no momento...

Peço agora (mesmo com vontade enorme de ir à praia e aproveitar as férias) que mais nimbus-cúmulus apareçam no céu, e lavem a alma de um autor simples, sem grandes pretensões, mas com grandes necessidades de falar ao mundo...
Reflita também...

01 maio 2008

Sobre a sinceridade

Característica humana que eu mais admiro. Simples assim.
Difícil de se encontrar na forma mais pura atualmente, isto porque uma infinidade de, ditos, valores se põem a sua frente... entendam: hoje é mais aceito que se minta do que se faça mal a uma pessoa, tal que a sinceridade é posta em cheque para evitar um mal-estar (muitas vezes, este, imprescindível...).
Nem por isso culpo quem usa essa estratégia. Eu mesmo sou "usuário"; ela é essencial hoje. Boas relações humanas e blá blá blá. Enfim, o que digo é que, por vezes, isto demonstra, na verdade, que quem omite realmente se importa com quem recebe a mentira. Quem torna a sinceridade facultativa, em muito, não quer magoar o próximo. E isso me conforta.
Conforta e ensina. Aliás, passei por algo que me mostrou amadurecido... Cena incômoda, mas com qual lidei muitíssimo melhor do que já presumi que lidaria. Fora o baque do momento, meu coração se mostrou maduro... e assim segui. A maturidade e a pseudo-sinceridade andaram juntas, ainda que só por um momento.
Acham isso possível leitores? Reflitam também...

p.s.: por nada passamos incólunes... e mesmo sem me afetar muito, acho que somatizei mais uma vez... alguém salve meu estômago após uma pizza e um soco... rs

Somatização

s.f., [1] Manifestação um conflito psíquico numa afecção somática; [2] Transformação de um mal psicológico ou emocional em doença ou sintoma físico, [3] Mal composto por sintomas físicos sem motivo patológico aparente, expressão do mal-estar psíquico a que alguem é disposto ou a sucessivos estresses passados pelo indivíduo.

Inicio o post de hoje de maneira técnica, seja clínica ou lingüísticamente, para elucidar algo crescente na vida contemporânea. Os incômodos diários que passamos, nos geram uma carga de tensão inigualável. Até mesmo pequenas coisas se exponenciam sem que queiramos... uma fechada no trânsito, uma espera na fila do banco... Pequenos incidentes, que jamais mudariam nosso humor vêm alcançando proporções Titânicas. Esse é um dos maiores preços que se paga pela vida hoje. Nunca passou por isso? Está certo, leitor?

Febre sem gripe? Dor no corpo e nada de dengue? Muito sono e você nem virou as últimas noites? Uma azia terrível e você não sabe o porquê ?(ou o médico não encontra o motivo?)

Não quero ser intimista neste post... por isso evito abrir o peito e me faço até informal para tal...Só quero dizer que, frente a todos os estresses, uma azia persistente e uma imagem na cabeça é o que mais me fazem mal...

O que lhe faz mal hoje?? Reflita também leitor...

11 abril 2008

2 Frases para terminar o dia...

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos.
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu...


*Não pretendia escrever nada extra, mas deu vontade:
Viva a Hipermetropia que rege o Mundo!

21 março 2008

Primeira Lei

"Um homem é capaz de reconhecer que encontrou a mulher certa para estar a seu lado pelo resto dse sua vida quando tem plena certeza de que pode se re-apaixonar por ela todos os dias que virão."

Pense nisso... Reflita também...

13 fevereiro 2007

Estranheza

A eterna busca humana pelo auto-conhecimento vem apresentado, nos últimos anos, uma amplitude ainda maior que antes. Isto se deve, como fatores principais, ao caos enfrentado todos os dias na cidade grande e à fluidez das coisas, a transformação tão fugaz e constante que nos deixa perdidos.
Chega ao ponto em que nem nós mesmos podemos descrever o que sentimos. Entender o que se passa no próprio âmago se torna um trabalho hercúleo, um enigma digno da Esfinge. E digo isso porque, caso o indivíduo não se canse em extremo nessa busca, acaba devorado por tal problema.
E acabo, pois, por encontrar um erro no raciocínio dos famosos Românticos do século XIX... Eles defendiam em suas poesias que o estado do tempo no dia é reflexo da alma de quem escreve. Como posso aceitar que, afundado em pensamentos sem-propósito, dúvidas a serem sanadas e um vazio no peito, o dia lá fora exponha uma manhã linda de sol?
Interessante... uma grande nuvem negra vem se aproximando no horizonte...

Pense nisso... Reflita Também...

11 novembro 2006

Vida nova... ?

Chegou a hora!
Cansei disso tudo... Ilusões são as piores coisas que já aconteceram à humanidade...Ou melhor, a pior delas foi o Homem ter se deixado levar! Porque só a inconstância, a carência e a crença em máximas ultrapassadas nos guiaram por esses caminhos tortos...
NOS GUIARAM! Você leu bem! Porque eu não me desligo da culpa! Eu aceito o fardo e reconheço a imensidão sobre mim... sobre um pequeno Homo sapiens sapiens que se acha superior aos demais animais...
Besteira! Falácia! Sentir-se mais importante é apenas um jeito fácil encontrado para tapar a necessidade de respostas que nos cerca. É dizer a si mesmo, de maneira indireta e beirando o ridículo: "Você é bom, não se sinta sozinho... Você não precisa de ninguém..."
Essa é a sina das pessoas hoje. Procurar desculpas para faltas contra sua própria integridade.
Mas chega o dia. O meu chegou.De me libertar, dizer o que eu penso. Não me preocupar com o que acham de mim ou sequer ligar para fatos desprezíveis, isolados.
A vida é um bem maior. E se nos prendermos a valores universais, se torna pequena, seguindo as regras impostas por outros a décadas, séculos.
Parafraseando Nietzche, que falava, entretanto, sobre Deus, eu digo:
-O Amor está morto! E quem o matou fomos nós...