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28 julho 2009

Combinatória (n!)

Não é muito original, dado que acredito estar entre milhões que pensam de mesma maneira, mas vejo o ponto da vida de uma pessoa a que esta chegou como o resultado de uma série de escolhas prévias. escolhas tão numerosas, em infinitas situações, que tornam o presente fruto do produto delas. Seja "sim ou não", "azul, amarelo ou vermelho", "praia ou montanha", "livro, filme ou música", poderíamos estar em qualquer outro lugar, caso a outra opção tivesse sido escolhida.
Bem, exemplifico com um caso fictício:

João amou Maria no momento que a viu. Apaixonara-se pelo sorriso abrangente e ao mesmo tempo contido. Dividiam a mesma turma; tornaram-se amigos. Divertiam-se nos momentos juntos, como se um completasse a cena proposta pelo outro. Alcançaram o grau de complementariedade em que se ó possível antever o que o outro dirá, ou o que o primeiro pensa. João sentia necessidade por mais. Já não queria apenas ter Maria como amiga. Sabia que era capaz de se reapaixonar por ela a cada dia; estava certo de que poderia construir tudo a seu lado. "Juntos podemos tudo". Precisava de uma chance. Prestaria o exame de direção em breve, e era o que precisava. Antes mesmo de fazê-lo em férias, convidou sutilmente Maria para sair. De maneira indireta, superficial, sem por os carros na frente dos bois. Praia seria o ambiente ideal para declarar-se. Com sol a pino, ondas molhando-lhes os pés, servindo água de coco à moça. Fez a prova, passou, pegou o carro e, num dia claro como nenhum outro, de cores quentes e vibrantes, buscou Maria em casa. Tiveram juntos um dia perfeito. Só ele naquele momento podia ver que o sorriso radiante dela se fundia com o cenário, de maneira tão perfeita que a beleza daquela mulher não poderia ser mais natural. Declarou-se. Já segurava a mão de Maria, quando deixou-se levar pelo coração em franca taquicardia e a beijou. A moça retribuiu, com igual paixão. Amor. Recíproco e imutável. Namoraram, viveram, partilharam e decidiram. Noivaram, amaram mais e casaram. Trabalharam, cresceram e envelheceram. Juntos. Fortes. Únicos. Ele sabendo que tivera a mulher de sua vida, e ela amando o homem que fora feito pra si.
Mas a vida é feita de combinações. E pra que isso ocorresse, as escolhas pareadas de tal forma que predispusessem isso, aos 2, somavam uma probabilidade de 1 para 10²³. Nessa situação, João não deixou de passar na prova de direção e ambos tiveram um verão de sol todos os dias. Os 2 não deixaram de se falar pelo acaso, Maria não conheceu melhor Antônio nem foi a uma pizzaria com ele. João e Maria não separaram seus grupos, nem deixaram de se esbarrar em sala e muito menos fingiam não sentir o perfume um do outro quando dividiam a mesma bancada, lado a lado. Os 2 sorrisos não se extinguiram e os olhares não deixaram de ser trocados. Os lábios não se furtaram de sussurrar elogios e de sorrir simplesmente por ver o outro...
A vida é feita de combinações... e nessa combinatória as chances são muitas, nem sempre favoráveis ou presumíveis...
Concorda leitor? Reflita também...

06 abril 2009

A moça da flor no cabelo

Que bela é a moça
Da flor no cabelo!
Tem movimentos leves,
Deixa rastros no ar,
Como uma bailarina
Em seu habitat...

Sorri,
E sorrindo
Ilumina o dia!
Emite,
Ao abrir os lábios
Brilho único,
Que contagia...

Faz-se flor
Como a que leva
No cabelo...
Exala torpor
Perfuma o ar,
Desfruta do frescor,
Dona de tudo
Tal qual devia sê-lo.

Torna-se mais,
Beleza em foco.
Com a flor no cabelo
A moça morena
Se destaca
E como a açucena
Se torna um marco.

Simples...
Envergonhada como criança...
Quando observada,
Cerra seus olhos
e descansa...

Sorri sem jeito,
Disfarça sua perfeição,
Finge ter defeito
Como acaso pudesse
E se nem mesmo quisesse
Seu belo e puro coração...

Com delicadeza,
Pisca um só olho,
Ainda com o sorriso
De alteza...

Indica que a moça
Da flor no cabelo
Nunca cede à tristeza.
Gira, roda...
E prossegue sem desdém...

Faz o mundo rodar
Quando a moça
..............[da flor no cabelo
roda em sua dança também!

-----Ah, como é bela a moça da flor no cabelo...

21 março 2009

Breve Explicação acerca do Manual Azul

Começo apresentando o background do fato que os apresento hoje. Uma grande amiga minha, já citada aqui, comentou uma vez que o jeito peculiar dos homens agirem, desde meninos até a idade senil, é ditado por algum tipo de regra que só nós conhecemos; um tipo de "guia azul". Pois bem. Após sucessivas tentativas de obtensão do livro pela companheira Lina, venho trazer-lhes um breve histórico acerca deste.
O Manual Azul dos Meninos, também conhecido como رجل سغسووس desde os seus manuscritos originais, e hoje também dito "How to be a Man, for Dummies", é a origem de todos os livros coloridos, sejam eles bons como O menino do dedo verde, ou nem tanto, como o Livro Vermelho de Mao.
Escrito por uma série de homens notáveis ao longo de toda a história humana, tem seu primeiro relato com base nos primeiros irmãos conhecidos: Cain e Abel (ver capítulo "Como aprontar e fazer seu irmão levar a culpa"). Ao longo de suas milhares de páginas, indispensáveis para a vivência do Homem contemporâneo, várias figuras deixaram seus conhecimentos escritos, como Abraão (assina Ibrahin), Julius Caesar, Ghengis Khan, Montezuna, Pedro I do Brasil, Thomas Malthus, Simon Bolivar, Toro Sentado, Conde de Sandwish, Costinha, Ludwig von Beethoven, Tiririca, Alejandro Sanz, Aleijadinho (escrevem por ele), Sir Sean Connery, Maurício de Nassau, Ho Chi Minh, o Soldado Desconhecido, Roberto Bolaños, Benjamin Netanyahu, Adolf Hitler, Zé Bonitinho, Bill Cosby, Vasco da Gama, Imperador Meiji, Zumbi, Rei Davi, Dalai Lama (vários deles), Dmitri Medeleev, Marcelo Malpighi, Giovanni Boccaccio, Bocage, Ziraldo, Mário Covas, Stalin, Jim Carrey, entre outros.
Os 2 tomos encontram-se divididos em 5 tópicos principais: Mulheres, Comidas, Esportes, Transportes e OutrasDiversoes (podendo haver intersecções entre eles), com adendo de outros 3 importantes: Trabalho, Família e Ganhos. São inúmeros capítulos, estes sim mais especificos, como Suporte de Vida na Selva, Jantar com os Sogros, Meu carro pode ser mais potente?, Segunda-feira também é dia de barzinho, Malabarismos Sexuais, Vinhos bons (e baratos), Festas de Fim de Ano na Empresa, etc.
Há que se ressaltar que o guia é tão válido para adultos quanto para crianças, de modo que as devidas adaptações estão já inclusas, como: Minhas pernas tremem quando a Cecília olha pra mim, Como viver no parquinho?, Me dá mais um copo de leite, Hot-Wheels especiais, Dribles e Firulas no Futebol, Desenhos imperdíveis, Mesada um dia acaba?, e Por que diabos aprendo Matrizes em Matemática?!.
Igualmente no fim dos tomos encontra-se uma área de agradecimentos, relatos pessoais de homens que fizeram uso e se beneficiaram desta obra preciosíssima. Um índice detalhado está contido na obra, assim como um resumo com os 100 mandamentos do Homem, na última página.
Infelizmente, apenas os indivíduos XY têm acesso a tal obra, que se abre mediante a comprovação genética/cromossômica do portador. Deste modo, Lina, caríssima, poderemos apenas dar-lhe algumas dicas, mas a srta nunca terá total e irrestrito acesso a obra...
"Um livro de Homens, feito por homens para homens"

sem mais, beijos mil,
Vinicius Fonseca
colaborador da Obra,
autor do Capitulo "Booom de testosterona precoce reduz altura, mas tem suas vantagens"

p.s.: O grande Amigo Hugo fez questão de comentar que Chuck Norris escreveu o prefácio do manual (de uma sentada só, com papel à mão, sem nenhuma caneta... nem vírgulas...).

10 janeiro 2009

Lagos Translúcidos nas calçadas da Cinelândia

A vida não tem esquinas, já disseram certa vez; mas a Cinelândia com certeza tem. E foi nessa exata esquina que passei por uma situação única na quarta-feira última.
Voltava eu de uma reunião no Centro com uma professora minha, e já tomava o caminho do metrô, quando fui convidado pela mesma para tomar um suco no espaço vizinho ao Odeon. Andávamos pela calçada larga, tomada de gente, mas tranquila, conversando sobre trabalho de uma maneira leve, que só o típico verão do Rio de Janeiro permite.
Não sei se por falta de hábito com a paisagem peculiar do centro da cidade ou por receio de andar no meio de tantas pessoas, eu prestava atenção em tudo ao entorno. Desde as pedras caprichosamente colocadas (e igualmente faltosas) formando o chão em mosaico até as esparças árvores que fazem falta no meio de tanto cinza da metrópole.
Esforçando-me para não tropeçar na infinidade de coisas que nos cruzam o caminho nesses lugares, desviei, sem muito propósito, quase que involuntariamente, de duas pessoas que cuidavam de uma banquinha no chão. Um rapaz à direita, agachado, e uma moça à esquerda, sentada sobre uma canga, que servia como base para as bijuterias que estavam à mostra.
O rapaz, de costas para mim, exibia algo para a moça, que observava com atenção.
Sem que eu pudesse segurar, no meu inconsciente veio o pensamento: "ah, os hippies em todo lugar... ainda existe gente assim!?", mesmo enquanto eu conversava sobre algo totalmente diferente, demonstrando a pluricapacidade da mente humana. Da preconceituosa mente humana. As roupas batidas, o lenço no cabelo da jovem, os dreds no do rapaz e o comércio de trabalho manual automaticamente me remeteram a isso. E só o que eu pensava no momento era como poderia haver pessoas que se furtassem de uma vida "regrada" e que pudessem se tornar alheias a uma formação necessária para o mundo de hoje...
Ao me aproximar, a jovem levantou o rosto ainda sorrindo, desviando o olhar que encarava o rapaz, ainda de costas pra mim, e repousou sobre os meus olhos os dela. Os olhos mais verdes e vivos que eu já pude observar em toda a minha vida. Contrastavam com o delinear negro nas pálpebras e o branco muito límpido da pele. Me olhou com uma força não instintiva, mas intrínseca àquelas translúcidas íris, que mais pareciam dois grandes lagos nas calçadas da Cinelândia. Eram tão abrangentes, tão expansivos, que não me admiraria que fossem capazes de conter toda a imensidão de coisas que os cercava no momento. Me senti invadido, exposto. Parecia que aqueles olhos, ao tocarem os meus, poderiam ver minh'alma. Não desviei o olhar, como de costume ocorre quando olhares se tocam nas ruas, shoppings ou supermercados. Meu pensamento, agora, era puro. Se purificara, na verdade. De nada me envergonharia pensar que eu precisasse omitir daquele Oráculo à minha frente.
Desacelerei o passo, pedi que os segundos se extendessem. Deixei que por mais tempo ela repousasse a esperança sobre mim, pobre e descrente pedestre da selva de pedra. Senti como se me afogasse num lago profundo, mas sem angústia... Sentia conforto, na verdade.
O caminhar deu fim ao elo, por mais que eu não quisesse. Segui o caminho, voltei à realidade, acabou.
Por fim me perguntei quem era eu pra questionar a maneira como eles levavam a vida... Se convicções são prisões, e estou preso à minha, não poderiam eles estarem certos e eu, errado?
A vida é curta, o mundo nos apressa e a velocidade transforma de maneira inescrupulosa...

Vestiam roupas surradas, muito simples, mas era possível sentir a felicidade ali...


***Espero que tenha gostado leitor... não se esqueça: Reflita Também!

04 janeiro 2009

Mandamentos para um Novo Tempo

Refletindo acerca da contemporaneidade, cheguei à conclusão de que o Homem precisa de novas diretrizes. Seguir novos rumos, se embasar em novos valores, um tanto próximos de outros já consagrados, mas com o intuito de tornar pleno o seu viver, retornar a um rumo ideal, há muito deixado de lado. Parei, pensei, e cheguei a esses 10 tópicos. Leis. Mandamentos para uma vida nova.

1- Faz o que amas, evita forçar-te a amar o que fazes.
-Opta por realizar aquilo que te faz bem-


2- Não te aproximas em demasia de quem não te trata como prioridade. -Ser alternativa para outros te consome aos poucos,
sem que percebas-


3- Reconhece teu limite, não o ultrapassas conscientemente.
-Zela por ti e guarda teu bem-estar sobre tudo-


4- Não te bastas a beijar uma flor, se a flor que desejas não podes beijar. -Luta pelo amor que te cabe-

5- Jamais te furtas do convívio dos que elegeste dignos de tua companhia. -Fica junto, ensina e aprende todos os dias-

6- Deixa que as palavras te aflorem à boca.
-E com elas, enfeita os lábios com sorrisos; teus e dos outros-


7- Adiciona música à tua vida.
-Faz um mundo sonoro, e capacita-te a ouví-las dentro de ti-


8- Aprende com as crianças.
-Como elas, passa a ver todos os lados de uma mesma situação-


9- Adentra teu mundo. -Faz parte dele, capta o sol, molha-te no mar e consome o vento como fruto igual da Criação que também o és-

10- Por fim, Sonha. Mas não te esqueças de viver.
-Sonhar vivendo é dádiva, viver sonhando é lástima-


Pois bem, caro leitor. Defendo como início de uma nova vida estas máximas. Não venho trazer verdades a todos, ou impor credulidades próprias aos demais. Digo que estas linhas ME guiarão. Quero que você se sinta à vontade em criar as suas, ou se lhe agradar, usar mesmo estas... À vontade. Meu intuito é pura e simplesmente fazê-lo pensar. E lembre, Reflita Também...

05 julho 2008

Desafio Machadiano

Não sei se dormia, mas real que parecia, uma bela fada de alas róseas me veio em sonho. Batia asas, soltando "porpurina" sobre este autor. enquanto lhe sorria, e sorrindo sussurrava: "Serás capaz de cumprir o desafio que lhe proponho?"
Como pudera negar? Encantado que estivera com os olhos luminosos, e o bailar por entre as nuvens, permiti apenas concordar embalando a cabeça. "Escrevais, cavalheiro, e mostrais que podeis terminar os versos que deixei soltos..."
Tento, pois, atender aos desejos do anjo que me fora enviado:


Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
Usai mil cores para adornar mundos,
Faz do céu, cerúleo, tua moldura;
Dá vida a meus lívidos segundos.

Olhai pro teu servo, amante teu
Que encantado, sim, observa a ti
E pensa só, em sonhos de Morfeu,
Sem empecilhos, por fim ter-te pra si.

E mui tanto eu daria para tal:
Cuore, vita... meu tudo, afinal!
Sem tu, Oh! flor, resta minha mortalha.

Lutar, é justo, por donzela-flor,
Doar-me pra merecer teu amor...
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!



Como já diziam os Parnasianos, "poesia é tão feita de transpiração quanto de inspiração"...
Deu trabalho, mas espero que a resposta do Desafio esteja aos pés da principesa.
Abraços fortes meus caros, e lembrem-se:
Reflitam também!

21 junho 2008

Dia dos Namorados em Atraso

Com um pouco de atraso, venho publicar este texto que surgiu de um desafio lançado pela grande amiga Lina, em celebração ao dia dos namorados. Ao fazer a versão masculina, Lininha me convidou a, com o devido paralelismo, criar a versão feminina para o texto. Cá está a reprodução caros amigos:

Prece pela Namorada Possível

Senhor, venho pedir uma namorada possível. Tudo bem, eu sei que sempre peço o mesmo ao Sr, seja em oração ou desespero, indo dormir ou na boate, mas acho que mereço né, Pai? Sou um homem fiel, que crê no desacreditado amor verdadeiro. Faço minhas obras sem esperar retorno dos beneficiados; não na profissão, mas no jeito de lidar com as pessoas, fazê-las sentirem-se melhor e amparadas. Me desfiz de toda idéia pré-formada, de todo pré-conceito e de todo ideário incurtido erroneamente em mim. Já até mudei minha posição inicial de “bonzinho”, que tanto elogiam mas igualmente repudiam as tais mulheres. Eu que tenho em mente a missão diária de fazer todos rirem não posso também estampar minha cara com sorrisos? Dôo a minha vida em prol dos necessitados, deixando de viver momentos pelos quais todos passam, e nada?! Sem querer questionar meu merecimento e meu crédito com o Sr, acho que estou merecendo sim!
Não uma namorada qualquer, achada num momento de solidão (em que qualquer uma serviria, e serviram!) mas uma menina nova, achada no meio de tantas outras, mas que do meio da multidão se destaque. Que emita uma luz brilhante, que ofusque mesmo a quem ousar desviar o olhar. Não quero uma deusa grega, porque Olimpiano não me fizeste. Quero uma bela moça, divinamente humana, humanamente divina. Que aceite ir ao cinema, de pronto, numa terça-feira depois da faculdade, se der vontade. Que divida um potão de sorvete comigo, seja creme da Kibon de morango da Häagen-Dasz, vendo um DVD, de House a Simpsons, comédia ou terror. Uma mulher que me tape os olhos ao me ver antes de eu vê-la, e me faça a surpresa como quem diz: “adivinha quem é?!”; que me tire de casa para passear sem planos feitos, seguindo pra onde quer que o vento nos leve.
Uma garota que dance! E dance melhor do que eu, mas que me ensine o necessário para acompanhá-la, e vê-la girar com a leveza de uma bailarina e o balanço de uma passista; que dance sem vergonha de que a vejam dançar, livre como uma ave, criando passos, por mais tolos que pareçam, mas que se divirta fazendo isso. E que não se prenda a um tipo só de música, mas adore a todos como eu, e que dance a todas também, sambando pra mim ou valsando comigo. Que ela me apresente a um mundo de coisas novas, me leve a descobrir a beleza de coisas menores do que as já admiro, e me mostre que na simplicidade das coisas é que habita a beleza. Que encha as minhas mãos de areia usando suas mãos na praia, e me empurre um canudinho de coco na boca dizendo “Prova!”. E que, então, levante meus óculos escuros e, colocando seus olhos nos meus, diga que está gostando do dia ao meu lado.

Uma mocinha delicada, não na vertente medo de bichinhos que voam, mas no jeito leve de ser. Que pegue a máquina fotográfica quando formos ao Jardim Botânico num dia de sol, e que se maravilhe como eu com o número de cores que a natureza cria. E que assim possa enxergar as possibilidades da pintura. Que faça uma tela comigo, se sujando como uma criança com as tintas espalhadas sobre a palheta. Que, não sabendo tocar nenhum instrumento musical como eu, se esforce pra tirar uma nota de um deles, e que vibre ao fazê-lo. E que não pense que ler quadrinhos é coisa de criança! Que jogue video-game comigo, e que eu sempre a deixe ganhar, só pra vê-la pular de alegria e me provocar depois, inclusive com beijinhos.
Que cozinhe, e comigo se suje e se limpe na cozinha, enquanto faço uma bella pizza numa sexta à noite... E que coma! Basta de mulheres movidas a saladinhas... que ela tope japonês, italiano, mexicano, português e americano...todo tipo de comida. Que ela faça doces incríveis, e que mesmo eu não gostando de doce, eu possa dizer “ficou incrível, como a doceira”. E que ao provar algo novo, por mais que ela não goste, olhe pra mim como quem vai começar a rir a qualquer momento. Ria... que ria muito! E não só ria de mim, mas que ria de si mesma ao me fazer rir. Que seja divertida, um quê de curiosa, e que faça aquela carinha que só meninas molecas podem fazer: rindo de leve, progressivamente, enquanto vão cerrando os olhos enquanto te observa. E que me olhe mantendo sempre no olhar o brilho que uma menina tem; o brilho apaixonante de quem vive um dia por vez, e faz uso dessas 24 horas como se foram suas últimas.
Que goste de poesia e literatura. Não uma expert em Drummond, ou que já tenha lido toda a obra de Dostoyevski, mas que possa comentar comigo o principal de livros mais conhecidos. Que não ache poesia coisa de frutinha, e que se sinta a maior das mulheres se eu recito pra ela a Lira XIII de Via Láctea, olhando fundo nos olhos. Uma mulher que vença os medos e bata de frente com os problemas, e que assim também me faça enfrentar os meus. Que me mantenha com os pés no chão, mas sempre sonhando acordado ao seu lado; que construamos castelos nas nuvens, mas fortes e sólidos como templos em homenagem aos amantes.
Uma mulher que saiba que a medicina me toma tempo. De preferência que viva isso também, porque só um médico entende outro médico. E que ao ser acordada no meio da noite por um dos celulares, pergunte: “Qual dos Drs eles querem?”. Lembrando: que não seja alta hein Sr! Não esqueça que fizeste teu filho pequenino, no que tange a altura...
Que tenha já pela manhã aquele cheiro doce das mulheres, e que, no meio do sono, com a cabeça repousada no meu peito, balbucie: “te amo”. E que grave na minha alma sua presença, pois ao ser eterno enquanto dure, se não for para sempre, que ao menos marque eternamente.
Amém.

Desculpem vosso autor se ficou longo, mas espero que gostem... Homenagem a uma bela princesinha dos cachinhos dourados, que me pediu que postasse este texto aqui.
Reflita Também...

11 abril 2008

2 Frases para terminar o dia...

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos.
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu...


*Não pretendia escrever nada extra, mas deu vontade:
Viva a Hipermetropia que rege o Mundo!

21 março 2008

Primeira Lei

"Um homem é capaz de reconhecer que encontrou a mulher certa para estar a seu lado pelo resto dse sua vida quando tem plena certeza de que pode se re-apaixonar por ela todos os dias que virão."

Pense nisso... Reflita também...

31 dezembro 2006

Luz perdida

A leitura de "A Última Crônica", de Fernando Sabino, me foi um marco. Foi com esta obra-mestra que descobri o mistério por trás do ofício de cronista, até então imaginado por mim como um complexo trabalho do homem sobre sua obrigação. Engano meu. Sabino sugere que, se lhe falta a inspiração para escrever, saia e observe o mundo a sua volta... "Leia" as pessoas...
Hoje eu alcancei esse nível. Consegui "ler" a dor de alguém e isso me tocou... E me culpo por não ter sido um problema dos já conhecidos, coisas que assolam um mundo desigual, mas um fato de simplicidade visível e que muitos ignorariam...
Deixava a casa de um amigo ao cair da noite. Ao chegar ao portão pude ver que havia uma festa numa casa próxima. E ao longe, na festa, enxerguei uma bela menina, ainda jovem. No mesmo instante realizei que era a moça com quem meu amigo já havia saído e com a qual nada mais queria, ainda que soubesse ser esta apaixonada por ele. A jovem veio em nossa direção e, percebendo isso, meu amigo virou o rosto. Ela não rumava a nós, mas passaria por onde estávamos... Ao chegar perto, lançou ao meu amigo um olhar como quem diz "olá" e esperando atenção, sem resposta, continuou a andar... Apenas eu a olhava... Cerca de cinco metros afrente, novamente ela se virou para nossa direção, tentando novamente estabelecer um, ainda que mínimo, contato com meu amigo, que novamente não ligou. Eu ouvia seus olhos clamarem "ei! não faça isso!" como quem sabe que a indiferença é a mais temível das tormentas. E ela seguiu seus passos. Eu já dava como findado o problema quando, para minha surpresa, vi, um pouco adiante, aquela linda menina virar-se pela última vez, esperançosamente, buscando para si um simples segundo dos tantos que sobravam ao meu amigo; mais uma vez sem sucesso. Eu vi a luz nos olhos daquela jovem se extingüirem naquele momento... Como a chama de uma vela abandonada ao vento da madrugada, sem que ninguém se importasse com a claridade que emitia.
A alta dramaticidade do momento, escondida pelas sombras da noite, invadiram o meu peito tal uma flecha endereçada aos que não se importam...Pela primeira vez na minha vida eu senti, não de maneira catártica como em livros ou filmes, mas como se ocorresse comigo mesmo, aguda e abruptamente, a dor daquela menina... Faltou-me o ar, abundante no meu entorno, mas ausente na minha reflexão, me deixando estagnado em pensamentos, e envolto em pesares...
E foi assim que aconteceu. Sem que eu esperasse... Apenas "lendo" aquela jovem, que só um olhar esperava...
Pense nisso...
Reflita também...
E um Ano de Luz para cada 1 de vocês, caros amigos...