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23 maio 2011

Musicalis Fracionatum 2

É o meu lençol, é o cobertor,
É o que me aquece sem me dar calor...
Se eu não tenho o meu amor
Eu tenho a minha dor...


Leitor, se o calor já inexiste, o que mais nos resta?
De certo a injusta troca proposta nos últimos versos...
.
.
...Injusta, mas muito frequente...
Pense nisso, Reflita também...

28 março 2010

Musicalis 9

Viva la Vida - Coldplay

I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning I sleep alone
Sweep the streets I used to own

I used to roll the dice
Feel the fear in my enemy's eyes
Listened as the crowd would sing
Now the old king is dead long live the king
One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt and pillars of sand

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman cavalry choirs are singing
Be my mirror, my sword and shield
Missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
Once you'd gone there was never
Never an honest word
And that was when I ruled the world

It was a wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in
Shattered windows and the sound of drums
People couldn't believe what I'd become
Revolutionaries wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman cavalry choirs are singing
Be my mirror, my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know St Peter won't call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world


---- É incrível o sentimento que se abate sobre um humano com o orgulho ferido.
Digo isso com conhecimento de causa e a letra em questão do post fala muito em favor disso. Desfrutar de uma posição cômoda, gratificante e de destaque é, em geral, o auge para um Homem. Não me refiro, entretanto, a poder econômico ou militar. Um Homem pode se dizer realizado quando sabe que o invejam.

Acalmem-se leitores, chegarei onde quero e provarei que não se trata de soberba (tema de um dos próximos posts) minha ou superioridade barata.

Indo de encontro ao antigo ditado "Quem é Rei, nunca perde a Magestade", pode-se observar que a perda de um status alcançado previamente pode ser fatal para muitos. Mexe com o primitivo, o basal de cada um. Explico: o ego é nutrido pelo sentimento de que se é importante, destacável, singular. Nesta posição, independente do seu poder real, a auto-estima lhe confere um prazer inenarrável...
Os mares se abrem frente uma palavra sua... Exércitos marcham em sua honra... Você enxerga o medo nos olhos de seus inimigos... Mas isso era quando você dominava o mundo...
É aí que a mesa vira. A influência é perdida, e com ela muitos dos ditos amigos, conselheiros e pares. Seus inimigos não mais o olham, e caso o fizessem, em seus olhares, o medo teria dado lugar à pena ou à indiferença. Seus exércitos empunham nova bandeira, seu castelo se desfaz, ancorado em pilares de sal e areia...
Caríssimo leitor, atentem para o fato de que não retrato aqui o Poder, mas a chama que nos leva afrente... sem auto-estima, varremos as ruas de um mundo que já nos pertenceu...
Pense nisso, reflita também...

28 julho 2009

Musicalis 8

Flor de Lis - Djavan

Valei-me, Deus!
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei,
Que amei, que amei, que amei

Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis

E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira,
Poeira
Morto na beleza fria de Maria

E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu.

E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu.

---- Percebo que hoje, falta água para os jardins da vida. Já não mais chove, as árvores altas não mais gotejam sobre as plantas mais baixas e sequer um regador, por pena, despeja uma milagrosa aspersão por sobre o verde. Sinto a secura empedrando a terra, rachando-a em blocos... Sem vida, como concreto, se tornou o antigo jardim.
Sei, pois, que nesse caso, sem o lirismo de outrora, nem a flor de Drummond, que se esforçava pra nascer no asfalto, se aventuraria neste ardor que deixa o Agreste com inveja...
Pense nisso leitor... Reflita também...

26 abril 2009

Musicalis 7

L'appuntamento - Andrea Bocelli
(tradução)

Tenho errado tanto agora
Que já sei
Que hoje quase certamente
Tenho errado com você.
Mas uma vez mais
O que pode mudar na minha vida
É aceitar que este encontro estranho
Foi uma loucura...

Amor, vem depressa,
Eu não resisto...
Se tu não apareces,
Eu não existo, não existo,
Não existo..
.


Sou triste no meio dessa gente
Que está passando ao meu lado
Mas a nostalgia de te rever
É mais forte que o meu pranto.
Este sol acende no meu rosto
Um sinal de esperança.
Estou esperando que, de improviso,
Te veja aparecer à distância...

Amor, vem depressa,
Eu não resisto...
Se tu não apareces,
Eu não existo, não existo,
Não existo...


Luzes, carros, vitrines, ruas,
Tudo mais se confunde na minha mente.
A minha sombra se cansou de me seguir
E o dia morre lentamente...
Não me resta voltar à minha casa
Para minha triste vida
Essa vida que queria dar a ti
E a desfizestes entre os dedos...

(versão para Sentado à beira do caminho - Roberto Carlos/Erasmo Carlos/Bruno Lauzi)

------- Então leitor... Você já se sentiu completado por alguém de tal maneira que a simples espera se torne um martírio? Que sinta necessária a presença desta por completo? Rogando aos cantos que surja de repente? E percebendo que, na ausência desta, o baque é tamanho que nem a ti mesmo pareces existir?
Como diz a versão original da música: Preciso acabar logo com isso... Preciso lembrar que eu existo... existo... eu existo...
Pense e se expresse leitor... Esse blog é seu, e sua participação é nosso combustível... Não se esqueça: Reflita Também!

06 novembro 2008

Musicalis 6

En el Muelle de San Blas
(Maná / Fher)

Ella despidió a su amor
Él partió en un barco en el muelle de San Blas
él juró que volvería
y empapada en llanto ella juró que esperaría
miles de lunas pasaron
y siempre ella estaba en el muelle
esperando
Muchas tardes se anidaron
se anidaron en su pelo
y en sus labios

Llevaba el mismo vestido
y por si el volviera no se fuera a equivocar
los cangrejos le mordían
su ropaje, su tristesa y su ilusión
y el tiempo se escurrió
y sus ojos se le llenaron de amaneceres
y del mar se enamoró
y su cuerpo se enraizóen el muelle

Sola
sola en el olvido
sola
sola con su espíritu
sola
sola con su amor en mar
solaaaaaaaa
en el muelle de San Blas

Su cabello se blanqueó
pero ningún barco a su amor le devolvía
y en el pueblo le decían
le decían la loca del muelle de San Blas
y una tarde de abril
la intentaron trasladar al manicomio
nadie la pudo arrancar
Y del mar nunca, jamás la separaron

--Uma bela poesia, caros leitores. Mesmo em espanhol, o entendimento não é difícil não... O ponto de hoje é: qual é o limite de um amor? Até quando é possível se doar sem errar consigo mesmo ou desistir e abandonar uma convicção? Bela história...Pensem... Ponderem... Reflitam também...

Em tempo:

...para não excluir ninguém do entendimento...

18 julho 2008

Musicalis 5

Há muito não deixo belos versos de poetas/músicos aqui para vocês. Percebendo isso, vos brindo com uma das mais fascinantes letras da música brasileira:

O que será (À flor da pele) - Chico Buarque

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores que vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

------O que será isso leitor? Você já experimentou?

Pois lhe digo: não caia na tentação de provar algo que vicia, sem que tenha a certeza de que o fator adicto nunca lhe será negado... Caso contrário, passará também pela falta, a crise e a abstinência a que muitos são dispostos por se aventurarem a buscar o complemento supressor de suas ânsias.
Pense nisso, Reflita Também...

31 maio 2008

Musicalis 4

Cecília - Chico Buarque

Quantos artistas
Entoam baladas
Para suas amadas
Com grandes orquestras
Como os invejo
Como os admiro
Eu, que te vejo
E nem quase respiro


Quantos poetas
Românticos, prosas
Exaltam suas musas
Com todas as letras
Eu te murmuro
Eu te suspiro
Eu, que soletro
Teu nome no escuro


Me escutas, Cecília?
Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas
Pode ser que, entreabertos
Meus lábios de leve
Tremessem por ti
Mas nem as sutis melodias
Merecem, Cecília, teu nome
Espalhar por aí
Como tantos poetas
Tantos cantores
Tantas Cecílias
Com mil refletores

Eu, que não digo
Mas ardo de desejo
Te olho
Te guardo
Te sigo
Te vejo dormir
----------------------------
Sem mais... Reflita Também...

01 março 2008

Musicalis Fracionatum

Hoje trago a vós uma edição especial do já conhecido post temático de músicas por aqui.
Darei espaço à atipia; numa época em que é regra retirar um trecho de certo discurso para colocá-lo fora de um contexto, faço o contrário: escolherei trechos musicais que, visivelmente, falam mais que a música de que foram extraídos, por inteira. Seja por excessos, extremismos ou mesmo algo tido como gosto duvidoso, cá estão os trechos que se destacam do todo e mostram sua verdadeira força aos ouvidos, neste momento:

"Acabei com tudo
Escapei com vida
Tive as roupas e os sonhos
Rasgados na minha saída
Mas saí ferido
Sufocando meu gemido
Fui o alvo perfeito
Muitas vezes no peito atingido"

"...
Não dá pra ficar cara a cara
Eu quero esquecer,mas se vejo você
Coração dispara
Por isso não quero te ouvir nem te olhar
Melhor continuar como estamos
..."

"Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est égal"

"Viva forever,
I'll be waiting,
Everlasting like the sun,
Live forever, for the moment,
Ever searching for the one."

"A razão porque mando um sorriso
E não corro
É que andei levando a vida
Quase morto
Quero fechar a ferida
Quero estancar o sangue
E sepultar bem longe
O que restou da camisa
Colorida que cobria minha dor"

Agradeço pela contribuição respectiva de grandes artistas: Leãozinho, Carlinhos, Miss Eller, as meninas-mulheres e o Viola de ouro... Taí. A diversidade é o que rege o mundo...
beijos e abraços
não se esqueça: Reflita também!

20 janeiro 2007

Resta-me... Musicalis 3

Sem forças... Sinto uma tensão constante a pesar-me sobre a cabeça...
A motivação se esvai e, sem poder pensar ou escrever, resta-me fazer, novamente, minhas as palavras de outros. Esses, sim, mestres nas palavras.
Deixarei para os próximos dias a análise dessa nova situação... Sem mais:

Universo no teu corpo - Taiguara

Eu desisto
Não existe essa manhã que eu perseguia
Um lugar que me dê trégua ou me sorria
Uma gente que não viva só pra si
Só encontro
Gente amarga mergulhada no passado
Procurando repartir seu mundo errado
Nessa vida sem amor que eu aprendi
Por uns velhos vão motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor
E é por isso que eu preciso
De você como eu preciso
Não me deixe um só minuto sem amor
Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se une em versos a canção
Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos...

Beijos... e agradeço, desde já, os comments... sejam estes de amigos, conhecidos ou mesmo novos companheiros na jornada do auto-conhecimento e da descoberta da Humanidade como um todo.

Ah, e aproveito para dar boas-vindas à "gi" que comentou no último post e eu ainda não conheço, agradeceria se deixasse seu e-mail ou msn para que pudéssemos nos conhecer...

Até, e Reflitam Também...

11 novembro 2006

Musicalis 2

Como pedido, uma contribuição do mestre:

Chico Buarque - As Vitrines

Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão
Dá tua mão, olha prá mim
Não faz assim, não vá lá, não

Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão frouxa de rir

Já te vejo brincando gostando de ser
Tua sombra se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar

Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo o salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
que entornas no chão

- Sem mais, deixo-os na reflexão... ñ esqueçam: Reflita também

21 outubro 2006

Musicalis



Desde o início da produção cultural humana, qualquer alma em um surto de inspiração pôde se dar ao luxo de expor seus sentimentos e mostrar ao mundo a fagulha que tinha dentro de si e, por conhecimento meu de causa, precisava pô-la para fora. É ainda mais normal admirar a obra alheia, uma vez que o criador é sempre crítico demais consigo mesmo... E é por isso que estou a abrir esse tópico. Passarei a mostrar obras, que admiro, de grandes autores, em especial na música.

Milton Nascimento - Quem sabe isso quer dizer amor

cheguei a tempo de te ver acordar
eu vim correndo a frente do sol
abri a porta e antes de entrar
revi a vida inteira
pensei em tudo que é possível falar
que sirva apenas para nós dois
sinais de bem, desejos vitais
pequenos fragmentos de luz
falar da cor dos temporais
de céu azul, das flores de abril
pensar além do bem e do mal
lembrar de coisas que ninguém viu
o mundo lá sempre a rodar
e em cima dele tudo vale
quem sabe isso quer dizer amor
estrada de fazer o sonho acontecer
pensei no tempo e era tempo demais
você olhou sorrindo pra mim
me acenou um beijo de paz
virou minha cabeça
eu simplesmente não consigo parar
lá fora o dia já clareou
mas se você quiser transformar
o ribeirão em braço de mar
você vai ter que encontrar
aonde nasce a fonte do ser
e perceber meu coração
bater mais forte só por você
o mundo lá sempre a rodar,
e em cima dele tudo vale
quem sabe isso quer dizer amor,
estrada de fazer o sonho acontecer